terça-feira, 12 de outubro de 2010

O Paradoxo da Escolha

Tendo por base a comunicação da Prof. Renata Salecl, "The Paradox of Choice", por favor estabeleça intersecções entre as temáticas abordadas na aula de hoje e os conteúdos da primeira.

12 comentários:

  1. Olá professora Ana...bem para dizer a verdade não consigo ouvir o video de forma continua!!! Está sempre a parar e assim não consigo compreender o que a Dr Renata diz...Vou tentar solucionar o problema.

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  2. José Régio dizia no seu poema intitulado Cântico negro
    “Não sei por onde vou,
    Não sei para onde vou

    - Sei que não vou por aí!”
    Segundo Renata o ser humano fica esmagado perante a possibilidade da escolha. Só o facto de ir ao supermercado gera ansiedade face à imensidão de produtos que é possível escolher.
    Face à emergência da escolha o ser humano vê-se obrigado a reinventar-se constantemente. Em consulta frequentemente observa-se mulheres que tem tudo, que escolheram adequadamente a escola, a carreira e até o parceiro mas o vazio continua a predominar e apesar de todas as escolhas certas e apesar de todo o sucesso há o indivíduo que se torna negligente com ele mesmo. Isto remete-nos para a visão de Bill Law numa primeira abordagem no matching onde afirmava que existia um homem certo para determinada profissão, o que poderá ser levado ao campo emocional, em linguagem popular que afirma que “para cada testo há uma panela”. A ideia da perfeição, de que só pode existir um caminho, uma pessoa, um trabalho.
    Isto gera uma enorme ansiedade. A obsessão pela escolha certa.
    A forma como os outros olham para nós perante as nossas escolhas, dado que somos percebidos pelo outros e pela sociedade gera ansiedade porque segundo Renata o acto de escolher nunca é individual, continuamente escolhemos porque os outros assim o fizeram e porque sabemos que os nossos pares irão sempre avaliar as nossas escolhas.
    O facto de sermos quase que obrigados a fazer a escolha certa é outro o factor de ansiedade Segundo o parâmetro da realização estudado na aula o Homem tem uma infinita possibilidade de escolha, ou seja existem possibilidade infinitas ao nível da realização pessoal, o que acarreta consigo um esgotamento geral, dado que se eu enquanto pessoa sei que tenho inúmeras formas de realização pessoal e não me consigo sentir realizado é porque sou incompetente, ou emocionalmente ou na relação com os outros ou a relação com o trabalho. Se o acaso/vida me dá um sem fim de opções para ser bem sucedido e ainda assim eu posso fazer a escolha errada o nível de frustração e ansiedade vai tornar-se insustentável.
    Outra razão que gera ansiedade é o facto de que ao acedermos a uma escolha esse acto invariavelmente traz uma perda. Se escolho caminho A vou perder todo o percurso do caminho B.

    O capitalismo gerou a ideia do self made man, de que todo o ser humano consegue ser tudo o que quiser. Eu posso ser famosa não por ter alguma skill mas apenas porque quero ser famosa. Isto é claro cria crenças irrealista do que um Homem pode ser. Um paraplégico nunca poderá ser bailarino, um mudo nunca poderá ser locutor de rádio. A presença do factor realidade é aqui importante para que o Homem perceba as suas capacidades para que assim as possa aplicar e aproveitar.
    O terceiro ponto “Coaching” centrava-se nas competências, centrando-se no fornecimento de competências, dizendo que existindo dificuldade ao nível da tomada de decisão sxistia ausência de competência para escolha.
    Ora no Mundo de hoje perante a abismal variedade de produtos oferecidos o facto de eu não conseguir tomar uma decisão torna-me alguém incapaz para tomar uma decisão?

    E por vivermos numa sociedade cada vez mais exigente, em que escolhemos em consonância com os outros e sempre pensando sobre o que os outros vão pensar de nós é que cada vez mais o Homem tem tanto medo de escolher. Porque perdemos quando escolhemos, porque temos uma responsabilidade individual se falharmos colectivamente.
    E aqui se explica o porque de tão poucos indivíduos saírem dos guetos. O sujeito inserido em contextos de vida pode optar por repetir (e aqui entenda-se manter comportamentos), ou então muda ( e aqui falamos em inovar). Sabemos que quanto menos se tem mais medo tem de se perder o pouco que se conseguiu até à data e por isso pouco ou nada se muda, sendo esta a metáfora para os bairros sociais.
    Se não conseguires decidir foca-te em não fazer a escolha certa mas com que a tua escolha seja a mais acertada possível.

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  3. Antigamente , a família exercia um papel importante na orientação da profissão dos seus filhos. Com a evolução dos tempos começou-se a valorizar as capacidades dos jovens, os seus gostos e vocações, dando-se importância ao papel dos profissionais de orientação vocacional, para os ajudarem na tomada de decisão.
    Não é só a nível vocacional que temos de fazer escolhas, pois tal como diz a Prof. Renata Salecl, a nossa vida é cheia de escolhas e nós temos a liberdade para fazermos as que acharmos mais convenientes. Contudo, paradoxalmente, essa liberdade pode gerar ansiedade, sentimentos de inadequação e culpa, na medida em que podemos fazer escolhas erradas. Sendo assim, levantamos a seguinte questão: como é que podemos fazer as escolhas certas?
    Antes de respondermos a esta questão devemos ter em consideração alguns aspectos relacionados com o desenvolvimento humano. Nesse sentido, a perspectiva ecológica de Brofenbrenner deu especial contributo, ao afirmar que o desenvolvimento ocorre sempre e se dá entre os diferentes contextos em que o individuo está envolvido; que as mudanças são inevitáveis e são perceptíveis à medida que o individuo se envolve e interage com o meio ambiente em que está inserido no momento; as interacções entre homem e meio ambiente têm reflexos recíprocos que provocam consequências em cadeia de forma generalizada.
    É nesta linha de pensamento que devemos considerar que as motivações das pessoas, as suas aspirações, os seus gostos, a sua personalidade e, por último, os seus interesses vocacionais vão-se desenvolvendo ao longo do ciclo de vida, uma vez que experiências passadas irão influenciar as nossas escolhas no futuro.
    Todavia, refira-se que há uma idade crítica a nível da exploração da representação de si, dos papéis ocupacionais e do mundo do trabalho. Geralmente, este ensaio de escolhas ocupacionais através da experimentação de papéis (efectuada de múltiplas formas), ocorre entre os 14 e os 24 anos, daí que seja necessário, a implementação do serviço de orientação nas escolas para ajudar os jovens a fazer a melhor escolha.
    O orientador vocacional deverá ter assim, em conta a história de vida dos jovens, o seu percurso escolar, os seus interesses vocacionais (gostos/sonhos), as suas aptidões, a sua personalidade, os valores profissionais, ocupação dos tempos livres, a influência do grupo de pares, da família e da sociedade na decisão profissional.
    É por esta razão que a Prof. Renata Salecl refere na sua comunicação que, as escolhas nunca são individuais, uma vez que estão relacionadas com as mudanças sociais. Para além disso, escolhemos porque os outros escolhem ou porque temos medo do que os outros podem pensar se fizermos determinada escolha ou então, tendemos a fazer as opções que os outros consideram como as mais importantes.

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  4. cont.

    Contudo, como é do nosso conhecimento, fazer uma escolha não é fácil e pode gerar conflitos, ansiedade e stresse, se a pessoa estiver sempre preocupada por encontrar a escolha ideal/perfeita, uma vez que essa busca incessante da perfeição pode levar à insatisfação. Para além disso, temos de ter em conta que uma escolha envolve sempre a perda de alguma coisa. Imaginemos que um jovem estava indeciso entre tirar o curso de Medicina e ser Professor de Educação Física, uma vez que o seu sonho era seguir a área de Desporto, mas por seu lado sabe que é difícil arranjar emprego. Deste modo, a sua escolha poderá ser condicionada pela situação económica do País e, nesse sentido, poderá optar pelo curso de Medicina, acabando por adiar a concretização do seu sonho na área de Educação Física. Podemos dizer desta forma, que esse jovem teve de fazer uma escolha forçada, o que poderá levar no futuro a sentimentos de inadequação se não se sentir realizado em termos profissionais e sentimentos de culpa se, consequentemente, fizer uma escolha errada. É por esta razão que, o papel do orientador vocacional é fundamental para ajudar no processo de tomada de decisão e promover aspectos de uma maturidade vocacional importante para o efeito, de forma a que os jovens atinjam o nível máximo da Pirâmide de Maslow, ou seja, a auto-realização.
    Em suma, podemos concluir através do contributo da Prof. Renata Salecl que, fazer uma escolha não é tão simples como se podia julgar e, nesse sentido, uma escolha profissional não se deve basear na comparação das características do indivíduo e as das profissões (princípio de que há uma pessoa certa para determinado emprego), uma vez que se deve ter em conta as competências cognitivas e afectivas (interesses e motivações) do jovem, entrecruzadas com os factores contextuais (oferta educativa e formativa, planos curriculares), no sentido de o comprometer numa decisão consciente e coerente.

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  5. A ESCOLHA acompanha a nossa existência.
    Desde tenra idade somos confrontados com as questões da escolha.
    O que queres SER quando cresceres?
    QUERES “isto” ou “aquilo”?
    TENS que saber escolher. Só assim vais CRESCER!
    (…)?
    Nos mais variados momentos da vida somos confrontados com as nossas escolhas. É aí que se confirmam as nossas desconfianças.
    PORQUE é que sou obrigado a escolher? Será que posso e devo escolher?
    A variedade, a qualidade e a lógica da escolha, leva-nos frequentemente a ter mais problemas para fazer as escolhas do que propriamente em lidar com a escolha, depois de feita.
    O excesso de escolhas faz com que queiramos avaliar todas as escolhas possíveis para posteriormente chegar à melhor possível, isto é, a um mix de escolhas que segundo o nosso parecer é a escolha ideal. Mas será que essa escolha é possível?
    Muitas vezes acaba por se tornar impossível neste nosso Mundo Real.
    Todo este processo de escolha causa ansiedade, insatisfação e desconfiança para com as escolhas possíveis.
    A final, onde reside a vantagem da escolha? Sempre que mudamos de escolha, sentimos necessidade de a justificar em termos pessoais, profissionais e sociais. Mesmo assim não nos sentimos mais felizes!
    O paradoxo reside então em querermos cada vez mais opções de escolha, mas quanto mais escolhas temos que fazer, menos satisfeitos ficamos.
    Penso que Renata Salecl fala disso mesmo, da ansiedade que o homem vem sentindo ao longo dos tempos. O Nosso Mundo mudou e nós somos obrigados a mudar, acompanhando a novidade e sobrevivendo ao inacabado.
    Voltamos à questão de sempre. Será que fiz a escolha certa?
    A escolha foi pessoal ou baseada no que os outros esperavam de mim?
    Esta inabilidade em tomar a decisão “certa”, à luz do “Coaching”, evidencia a não competência para a escolha. No entanto, penso que este facto não deve ser tomado em consideração. Perante este vasto mundo de escolhas nem todos conseguimos tomar a decisão “mais acertada” e/ou “esperada”, facto esse que não faz de nós menos competentes e/ou capazes, em comparação com os outros.
    Nós estamos a viver, intensamente, este paradoxo que é “viver a insegurança oriunda da multiplicidade de escolha que surge para facilitar a nossa existência, mas que no entanto, complica esta nossa vida que merecia ser de extrema felicidade e beleza”.

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  6. Antes de mais devo salientar que a minha opinião se encontra desprovida do visionamento video pelas dificuldades já descritas no comentário anterior...
    Desde o momento em que acorda até ao segundo antes de adormecer, o Ser Humano imperativamente tem de fazer diversas escolhas! Afirmaria mesmo que ao longo de todo o seu ciclo vital ele vê-se impelido a fazer opções e a seguir certos caminhos/rumos em detrimento de outros, nas mais diversas esferas. A questão é: algumas dessas decisões ou escolhas que faz não acarretam implicações futuras mas num pólo oposto, existem outras que se não forem assertivas podem condicionar grande parte da sua vida… Como é o caso da escolha profissional. Daí a importância de uma visão global/holística em relação ao processo de orientação vocacional e profissional. Que já não se resume à passagem de uma bateria de testes e à viabilização única da análise dos seus resultados ou por outro lado à perpetuação profissional familiar. No entanto, nunca deverá negligenciar as características e competências individuais e a exploração efectiva (em última análise) de um leque restrito de profissões eleitas. Todavia, essa análise deve englobar a realidade actual e presente do mercado de trabalho em termos de tendências de procura profissonal e a economia do país. Mesmo neste sentido, continuo a afirmar que nada é eterno, existindo sempre a possibilidade de uma reformulação da decisão profissional.
    Em jeito de conclusão, gostaria de salientar que o que importa reter, na minha opinião, é o facto de que independentemente da corrente teórica que estudemos todas têm a sua razão de ser em determinadas épocas da história social e foram sempre sofrendo evoluções que nos permitiram a adequação da orientação vocacional e profissional à realidade da sociedade em que estamos inseridos.

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  7. Desde que nascemos e até que morremos somos "obrigados" a fazer escolhas. No entanto a forma ou as razões pelas quais nos orientamos para fazer essas escolhas é que vão mudando ao logo da nossa vida. O ambiente, o país, cidade ou década em que vivemos, as pessoas com quem nos relacionamos, a família, os meios de comunicação social, a moda, etc influenciam a nossa tomada de decisão. A grau de dificuldade da escolha foi crescendo com o passar dos anos. Diz Renata na sua apresentação que na altura dos seus pais eles não tinham que decidir se tinham filhos ou não, simplesmente tinham era assim... as decisões estavam implicitas logo a escolha era "automática", reflectindo-se aqui a primeira permissa de Bill Law (Matching).
    No entanto os tempos foram evoluindo e a panóplia de caminhos (agora auto-estradas) diversificou-se e intensificou-se. Se antes não precisavas de escolher agora podes, mas devido à enorme diversidade ficas ansioso. O medo de falhar na escolha. Este medo directamente relacionado com a preocupação do que pensam de ti (social). Esta liberdade tem um preço, não importa se tens "competências" podes ser o que quiseres, encontramos aqui a sugunda ideia de Bill Law (Enabling). Mas se não tens "competências" podes adquiri-las e desenvolvê-las (Coaching).
    Se por um lado não tinhamos escolha, eramos tristes e não havia evolução, agora os caminhos/alternativas são tantos que a escolha para além de difícil é envolta de medos, angústias, ansiedade... seremos mais felizes? Ou, no meu entender, tantamos uma espécie de adaptação à escolha/decisão?

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  8. Tendo por base o visionamento da exposição da Dra. Renata Salecl e a aula de Questões Aprofundadas da passada semana, gostaria de fazer apenas alguns comentários que me parecem pertinentes no âmbito da Orientação Vocacional:
    Desde logo, saliento que a perspectiva sobre a OV sofreu alterações ao longo da história, tendo acompanhado as dinâmicas sociais, políticas, económicas e ideológicas de cada tempo. As perspectivas sobre as escolhas acompanharam as mudanças sociais. Se no início do século XX, as teorias comportamentalistas preocupavam-se com a objectividade, a medição (importância dos testes psicométricos), em que a OV é entendida como a escolha do trabalho certo para o homem certo, no pós-guerra havia uma crença inabalável nas potencialidades infinitas do ser humano, postulada por Carl Rogers, na época de prosperidade e pleno emprego, em que o ser humano deveria procurar a realização pessoal (valorização da subjectividade).
    Nos nossos dias, como sublinha a Dra. Renata Salecl, o ser humano é confrontado com uma multiplicidade de escolhas, que têm a ver não só com a escolha de objectos de consumo (própria do Capitalismo), mas também da sua carreira ou até da sua própria identidade.

    Hoje vivemos na “Sociedade da Escolha”, somos livres para tomar as nossas decisões, mas parece que estamos, ao mesmo tempo, numa encruzilhada, sem sabermos muito bem qual das vias escolher, qual a direcção certa (como vimos, não existe uma direcção única para cada indivíduo na lógica do matching, mas sim uma variedade de opções). Logicamente que num mundo de ofertas, de propostas, de incertezas tomar uma decisão sobre que escolhas fazer é uma tarefa árdua.
    Pode parecer paradoxal, mas apesar de termos a total liberdade para fazer as nossas escolhas, estamos aprisionados pela incerteza sobre qual a melhor direcção a tomar, fruto da multiplicidade de propostas que existem. Por este motivo, a sobrevalorização da escolha torna-se motivo de sofrimento, gera ansiedade porque incorremos sempre o risco de tomar uma decisão que não seja a correcta – sendo igualmente certo que não existe uma escolha ideal – ou simplesmente paralisamos e não tomamos qualquer decisão com receio de optar por uma direcção errada, em detrimento de outra. A questão de perda salientada pela filósofa, parece essencial: quando tomamos uma opção qualquer, abdicamos que um conjunto de outras possibilidades e lidar com a perda é sempre gerador de ansiedade.
    O que me parece é que devemos sempre sublinhar que o ser humano encontra-se sempre num processo de construção pessoal e pode, a qualquer momento, mudar de rumo e re-orientar as suas opções. Naturalmente que antes de qualquer tomada de decisão deverá, em meu entender, explorar as diversas áreas da sua vida, os seus interesses, os seus valores e até os seus desejos inconscientes, os contextos onde vive e que influenciam as suas escolhas. Não podemos compreender o ser humano apenas como alguém que possui um repertório de skills, ou que é capaz por si só de atingir as suas metas de realização pessoal, ou que é passível de ser treinado para aquisição de determinadas competências, sem considerar o contexto social que o influencia. Como refere a filósofa, nenhuma escolha é feita pelo indivíduo por si só, fora da sociedade, mas as suas escolhas são fruto das escolhas que os outros fazem.

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